24 outubro 2007

Ainda...

Quis soltar um grito para tu ouvires
Quis que meu sentimento fosse capaz
De te abalar por inteiro,
E que assim te entregasses,
Poro por poro.
Mas não foi suficiente para ti,
Nada é suficiente para ti.
Agora carrego-me sozinha
Com ainda mais vontade de te abraçar.
Ainda gosto do tempo,
Da tua voz,
E muito mais dos teus dedos,
Da tua boca,
Cabeço.
Choro pouco,
Pela pele morena, que já não é minha,
Pela saliva quente, que já não me mata a sede.
Ainda estás a tempo,
Ainda podes recorrer ao arrependimento,
Eu espero, mas espero
Não por ti, mas por teu coração!
Ainda...

22 outubro 2007

A careless bird is complicated

So
So long
So long ago
There wasn't anyone out there I thought I needed to know
But no more
When I find the day leave my mind in the evening just as the day before

I saw the window was open
The cool air
I don't know what you saw there
Don't know what you saw in me.

Sometimes I want to be enough for you
Don't ask
Know that it's understood
There's not enough of me.

I saw that something was broken
I've crossed the line
I'll point you to a better time
A safer place to be.

Sometimes I want to be enough for you
Don't ask
Know that it's done no good

A.R.S.

15 setembro 2007

Saudades



Se por acaso me vires por aí
Disfarça, finge não ver,
Diz que não pode ser
Que eu morri, num acidente qualquer.
Conta o quanto quiseste fazer
Exalta a tua versão,
Depois suspira e diz que esquecer
É a tua profissão.

E ouve-se ao fundo uma linda canção
De paz e amor.

Se por acaso me vires por aí
Vamos tomar um café
Diz qualquer coisa, telefona enfim
Eu ainda moro na Sé
Encaixotei uns papeis e não sei se hei-de deitar tudo fora
Tenho uma série de cartas para ti,
Todas de uma tal de Dora.

E ouve-se ao fundo canções tão banais
De paz e amor.

Se eu por acaso te vir por aí
Passo sem sequer te ver
Naturalmente que já te esqueci
E tenho mais que fazer
Quero que saibas que cago no amor
Acho que fui sempre assim
Espero que encontres tudo o que quiseres
E vás para longe de mim.

E ouve-se ao fundo uma velha canção
De paz e amor.

Na sexta-feira acho que te vi,
À frente da Brasileira,
Pareceu-me mesmo o teu fato azul
E a pasta em tons de madeira,
O Tó gostava de te conhecer
Nunca falei mal de ti
A vida passa e era bom saber
Que estás em forma e feliz.

E ouve-se ao fundo uma triste canção
De paz e amor.

J.P. Simões

12 setembro 2007

Adeus tristeza...

Sede em nós
Olhamos
Nada vemos
Só um grande ruido
Ouvimos
Sim
Ela canta
Não cessa...
Vem aí o frio
Tragam as armas
Vamos defendernos
Vamos atacar
Os futuros incertos
As dores indecisas
Vamos cantar dentro de casa
Para atenuar o canto Dela...
Já não a queremos ouvir!

11 setembro 2007

Caruma


Vento, sopra...
Leva tudo o que são memórias,
Toca o cabelo,
Arrefece-me o pensamento,
À luz do amanhecer, toca-lhe nos lábios,
E sorri para ele como se fosse a última hora do nosso encontro.

Já não sei o que te move para mim,
Se a fortuna nos abraça
Ou o amor nos abandona,
O que é certo é que o vento nos toca,
Como que anunciando uma nova viagem,
Em que, ou nos deixamos afogar,
Ou nos consumimos até chegarmos ao número perfeito de células.

Quando estás assim, dormente a meu lado,
Pareces inofensivo, e és pesado, não te deixas levar,
Mas quando surges imponente,
Apetece-me destruir tudo o que me resta de ti...

O teu fumo vai connosco,
Mesmo que não percas o avião,
Porque tudo devia ser sagrado,
Mas eu sou incapaz de te ver voar,
Preferindo aterrar sozinha
Pois para ti nunca há esperança...

Porém este sol aquece e às vezes
Pareces ouro na minha pele.
Quero resplandecer contigo,
Soprados pelo vento do anoitecer,
Ao passarmos o horizonte
Sorrindo para o futuro,
Seja ele tão curto como nossos braços de leite,
Ou tão logo como nossas as feridas proferidas por nossas palavras de fel...